7 de janeiro de 2008

o ponto branco

Tem dias que as luzes dos carros do lado de fora são apenas grandes pontos, brilhantes, em vermelho. Nesse brilho que dá quando caímos no sono, um brilho quase que de sonho, sabe? É uma sensação meio – o mundo real existe ou sei lá? – é uma coisa, uma coisa tão questionável quanto o ponto branco da minha janela. Não sei como chegou lá, nem imagino, mas está lá. Encara-me, observa-me, criticando as minhas letras, minhas palavras. Quase conversa, quase fala – me diz como é a vida, me diz? -... Devia sumir. Como os sentimentos da vida se passassem um pano. O braço exagerado que se ergue em nossa face e o enclausurar-se de quem nunca enfrentou esse vasto mundo.

Essa coisa mundana-efêmera precisa de um pano.

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