31 de janeiro de 2008
Algo que não tem nome
vou me permitir transformar aquela parede em janela,
com uma mão e um soco no meio destruo,
uso vidros e cimento, construo com outra mão.
E sentada na janela,
vou cantar à liberdade,
com amor e esperança.
Vou olhar aquela nuvem fazer voltas no céu,
criar estórias com seus desenhos
e contá-las às formigas do jardim.
Hoje, vesti aquela saia leve,
mas não preciso sair por aí.
27 de janeiro de 2008
domingo, 27 de janeiro de 2008
Ando precisando muito falar com você. Pego o telefone, todos os dias, olho pra ele e não te ligo. Tem hora a desculpa é o preço, hora que é preguiça, hora que "você não vai me atender", hora que é “acho que é engano”. Mas me necessita falar com você, rir ouvindo sua voz, te perguntar “como cê tá? Tudo bem?”. Sinto tanto a sua falta... Pode soar solitário isso, mas por vezes minha vontade é pegar esse telefone e despejar toda essa angústia que paira no meu peito. E essa angústia vem da vontade que eu tenho de te fazer sabida de tudo que eu sinto, de toda minha saudade, de toda minha necessidade. Deixar-te a par das minhas necessidades como ser, inundado de sentimento. Quantas vezes, te confesso, olhei à janela na esperança de você olhar o mesmo lugar? Ou pensei em você esperando que tivesse pensando em mim exatamente naquele minuto, exatamente naquele instante? Juro. Pode parecer piegas ou declaração de amor fajuta, mas não, não é. É necessidade minha, e só eu sei quantos mares de medo eu tenho que atravessar todos os dias quando penso em te dizer qualquer coisa, por mísera que seja. Essa dor que me dá, essa angústia num medo de que de repente você suma e nunca saiba disso. Espero seriamente que me entenda. Compreende que para mim também nada é fácil. Demolir-me quase que diariamente é muito cansativo, mas meu esforço é fazer isso sempre (e eu digo sempre mesmo) por saber que você vai aparecer quando o que restar desse meu muro cair.
Você sabe e sente o quanto eu te quero bem.
Um beijo.
25 de janeiro de 2008
In Rainbows

Eu fui um dos herdeiros dos Beatles
Mesmo sem saber eu tinha em mim
a harmonia musical impregnada
em meus ouvidos, fluindo sem fim
Ouvindo Abbey Road e Help
Meus irmãos deixaram
marcas nostálgicas
e sem sequer saberem
Acabaram por me ensinar
que existem gostos e setembros
lembranças e novembros
Hoje não ouço músicas por catálogo
escuto primeiro por sentimento.
Aprendi a apreciar música de ouvido.
20 de janeiro de 2008
sobre a "Balada da Moça do Miramar"
Ah, vida sempre morrendo
Ah, moça do Miramar!
[Vinícius de Moraes]
Eu imaginei a Moça do Miramar. Com seus cabelos louros e seus pelinhos azuis, rebrilhantes, brilhando quase que em separado ao corpo já putrefato. O que levou essa moça, a trancar-se em casa num já saber-se próximo a morte e à morte. O que será que escutava a Moça do Miramar? O que será que amava, o que será que queria, o que foi que com ela em confidência à lua desapareceu no mundo sem deixar um rastro qualquer que fosse? Quantos desejos perderam-se inertes no teu cérebro já morto? Quantos amores nunca foram ditos? Quantos aromas se perderam em seu nariz necrosado? Quantas formigas morderam e intoxicaram seu coração tão machucado de vida real que se cansou de viver? Tiraram o viver. Deixaram apenas a matéria, sem força, sem reação, sem alimento. Apenas um corpo pairado à lua, sem motivo, sem por que. Quem moveu a Moça do Miramar a mirar o mar à luz da Lua e ali ficar? Quem impeliu nessa moça o desejo de ver na sua morte o destino mais silencioso? O que ficou pra trás? Ninguém sabe. Ninguém saberá.
16 de janeiro de 2008
...e tal.
eu quero a palavra que não atormente,
que não vacile
quero querer palavra requerida
quero as palavras menos duras,
acompanhadas dos cheiros mais fortes
quero a palavra mais simples,
dita após um longo silêncio
quero a jura de amor sem pé
nem cabeça
não quero qual você quer
quero palavra qual-quer
random thoughts
Ao fim da película, começa a chover na vida real. Não se sabe ao certo porquê mas certas frases ecoam na sua mente. Preciso esquecer algumas velhas novas dores. Transcrever frases interessantes que se acham em livros velhos e amarelados. Tudo em pensamentos que surgem com a chuva ao lado. “We are all one thing, lieutenant. That’s what i’ve come to realize. Like cells in a body”. Sim, uma coisa só. Somos todos assim, não? Da flor ao mendigo, somos todos feitos da mesma matéria primordial, cuspida ninguém sabe de que planeta ou de que lugar desse universo. Por vezes, pesamos nossa existência como algo imensurável, fazemos de nossas confusões as crises que se amarram em nossas pernas como grandes bolas de ferro dessas que os prisioneiros de filmes B usam. Como se não fizéssemos parte de um plano maior e sim, apenas, desse invólucro fechado que se torna a nossa vida. Nem sempre é assim. Porque se importar tanto, com que propósito? Nem eu sei. Que devemos pensar de tudo? Não se sabe, e não pergunte à mim, não seria conclusivo o suficiente para te fornecer a resposta fundamental. Seres humanos são suficientemente incompreendidos e incompreensíveis para não enxergarem suas próprias respostas. Quero dizer, pessoas são estranhas, sabe? Como se nos esmagássemos com nossas próprias mentiras e nelas escondêssemos alguma verdade já viciada, destorcida. De repente, é mais fácil assim. Bem mais fácil. No meio de tantas mentiras fica difícil descobrir alguma verdade. Com efeito, mentiras tornam-se belas capas, empapuçadas com alguma meia verdade misturada com um pouco de dissimulação. Assim, cuspimos um pouco de nós, um pouco do que temos lá dentro, um pouco da nossa verdade (sem parecer bobalóide motivador) todos os dias. Como se morrêssemos indiferentes à qualquer busca real. Apenas inertes, anestesiados, dopados de alguma substância ilícita fictícia que nós passa uma segurança inexistente, momentânea, passiva e residual. Contaminando-te como um câncer, ou uma infecção psicológica. E assim caminham todas as coisas.
10 de janeiro de 2008
No meio de lugar nenhum
procurando estar mais perto de ti
Um olhar adormecido depois do café
Um andar morno num verão abrasador
Leitura mansa no jornal diário
uma saudade que aperta o olho
passos que parecem se perder
no meio de lugar nenhum
Spywares desbloqueados
flogs meio desatualizados
luzes acesas a noite toda
Amigos pertos, amigos distantes
um mundo sereno de janelas vazias
Solidão geometricamente sólida
criada nas paredes feito trepadeiras
canções que parecem me prender
no meio de algum lugar
Signos, sons e significados
comerciais encomendados
rimas com caldas de framboesas
os recreios de minha infância
Os quadrinhos de minhas revistas
Os pés na borda da piscina
de alguém que nunca soube nadar
O sol atravessando a cortina
Amigos pertos, amigos distantes
uma saudade que desce pelo rosto
em lágrimas que parecem flutuar
no meio de um céu azul
8 de janeiro de 2008
ver-tes
E quando tu estiveres perto, arrancarei teus olhos
e os colocarei em lugar dos meus e tu arrancarás
meus olhos e os colocarás em lugar dos teus;
então eu te olharei com teus olhos e tu me
Olharás com os meus.”
(Jacob Levy Moreno, 1914)
Por dentro daqueles olhos verdes eu me perco, me perco de mim, me perco de tudo, me perco do mundo, me perco até de me perder de tanto que tenho aqueles olhos verdes. Tenho tanto apreço por ti, tenho tanto apreço por eles, que faço deles vida em ardor interno. Alucina-me, ata-me as mãos, deixai meu juízo de lado, tu e teus olhos - ó Deus, que fazer?
Como se iluminasse o escuro e suas penumbras soturnas com esses olhos de esmeralda com diamante ao redor, são lindos, são meigos, tão doces, são seus, seus, seus, seus... Quem me dera em vida, tê-los, nem que fosse em ida, do meu ladinho, juntinho dos meus, tão humildes e negros.
Por enquanto, então, vou me perdendo...
7 de janeiro de 2008
o ponto branco
Tem dias que as luzes dos carros do lado de fora são apenas grandes pontos, brilhantes, em vermelho. Nesse brilho que dá quando caímos no sono, um brilho quase que de sonho, sabe? É uma sensação meio – o mundo real existe ou sei lá? – é uma coisa, uma coisa tão questionável quanto o ponto branco da minha janela. Não sei como chegou lá, nem imagino, mas está lá. Encara-me, observa-me, criticando as minhas letras, minhas palavras. Quase conversa, quase fala – me diz como é a vida, me diz? -... Devia sumir. Como os sentimentos da vida se passassem um pano. O braço exagerado que se ergue em nossa face e o enclausurar-se de quem nunca enfrentou esse vasto mundo.
Essa coisa mundana-efêmera precisa de um pano.
6 de janeiro de 2008
Supernova
antes do café e logo depois do jantar
por dentro e por fora a ruptura que te envolve
mostra que o universo te pertence e te devolve
em goles mansos de sentimentos mornos
você caminha devagar e aponta o Sol
seu sorriso devolve minhas esperanças sequestradas
minha fé aniquilada minhas preces espatifadas
o caminho que eu sigo vem de teus traços
desenhados por você com mel e grafite
e tudo o que em mim respira e existe
se define pelo brilho cândido de teu olhar
por dentro e por fora a ruptura que me envolve
mostra o Tempo o meu sentimento o teu rosto
o som de tua voz escorrega em meu pensar
pintando quadros nas janelas que abri
criando linhas de distorção onde velejo suave
nesse teu mar de palavras e risadas
partículas despedaçadas flutuantes pelo ar
lá fora na escuridão sobre o Mar
farelos luminosos molhando teus cabelos de Sol
cegando minha visão me fazendo mais te amar
tu perfeitamente me fazes sonhar
antes do café e logo depois do jantar
Tua face me aquece nesta minha febre de viver
de sabores poesias biscoitos passeios eu e você.

Leia ouvindo The Boy With No Name, da Banda Travis
let it begin
Qual palavra você quer?
E o estilo, qual quer?
Poesia, prosa,
liberdade.
à todos e qualquer um.
Sintam-se à vontade!