13 de fevereiro de 2008

Quarta feira, 13 de fevereiro

Que lugar mais empoeirado esse da minha memória. E essa tarde em brumas não ajuda em nada. Apenas me faz respirar o silêncio, quieto, que repousa gritando em mim. Essa sensação que não passa nem ao acendermos o último cigarro, como se fosse um prolongamento do meu momento acordado nessa sensação de sonho amargo esperando você aparecer naquela porta. Talvez, quem sabe, talvez eu divida isso com você. Pela minha sanidade, pela nossa integridade, eu quero que saiba: você não está sozinha, solidão. Você esqueceu disso há algum tempo, mas eu te faço lembrar, mesmo depois de tantas coisas estranhas terem acontecido...

Você sonha, acredita em algo no meio das suas baforadas, assim como eu te espero aparecer por aquela porta. Eu posso mudar, você sabe, podemos todos mudar. Quem você quer ser ou quer que eu seja? Eu sou o mesmo, sempre fui o mesmo. Quer que eu seja alguém, de verdade? Na verdade tudo que nos era necessário é o súbito desejo de estar em casa. Estar no lar. Lugar onde nos permitem gritar aos nossos modos sem interferência. A rua interefere, a casa dos outros intefere, até o tio mais legal interfere na sua liberdade interna. Na sua solidão, solitário. Mesmo quando todas os caminhos apontam direções divergentes, meu Deus, sei bem que o caminho de casa é o único que me protege do frio e da chuva.

Algumas coisas, já se sabe, jamais serão as mesmas. Alguns sentidos nunca mais terão o mesmo tato nem verão com as mesmas orelhas o falar do aroma das rosas que meus olhos degustaram...

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